1 COMO COMEÇOU ” A HISTÓRIA DOS OVNI´S” ?

Dr.Luis Lourenço

Capítulo 1

 

Como Começou Esta História dos OVNIs

 

 As visões de OVNIs ou Discos Voadores remontam à História ou Pré-História do Homem. Mas, de facto, é preciso cuidado com a forma como se interpreta a Mitologia ou os dados históricos. Não podemos simplesmente querer ver OVNIs em tudo. Há pessoas que vêem OVNIs nos Anjos, nas Fadas, Sereias ou nos Centauros da Mitologia. Outros recusam o fenómeno metendo-o no mesmo saco da astrologia, quiromancia ou qualquer outra “arte” divinatória, o que, para mim, constitui um erro. Apesar disto, dados históricos são realmente muito intrigantes e já os iremos examinar com algum cuidado. Outros factos do passado podem, de facto, ter outras interpretações e não se pode realmente “querer ver OVNIs em tudo”. Tudo o que precisamos é de investigar com uma atitude de Amor à Verdade.

 

 

       Um dos casos interessantes do meu ponto de vista é o do relato de Objectos Voadores em forma de Escudo (Discos) que, com o disparo de um raio, teriam derrubado a muralha da cidade de Tiro e, dessa forma, permitido a Alexandre, o Grande, e a seu exército penetrar pela cidade, invadindo-a.

      Considera-se, apesar dos estranhos registros da Antiguidade, que a Era actual dos OVNIs começou a 24 de Junho de 1947. No entanto, os OVNIs aparecem, na época moderna, já antes dessa data como veremos mais à frente. No entanto, esta é a data considerada oficial e surge quando um experiente piloto de um pequeno avião comercial, Kenneth Arnold, sobrevoando o Monte Rainer, em Washington, nos EUA viu passarem a uma certa distância e ao lado da sua Aeronave, nove objectos muito rápidos que voavam como “pires que alguém atirasse para cima da água”. A partir daí popularizou-se a expressão “pires voadores” (flying Saucers) ou, em português, “discos voadores” e entramos na naquela que é considerada a Era moderna ou contemporânea dos discos voadores. Os “discos voadores” entram de uma forma “maciça” na consciência colectiva. Ou, pelo menos, assim se considera. Muitos indivíduos não querem ouvir falar deles, não se interessam pelo tema até ao dia em que presenciam um e tornam-se uma testemunha ocular do fenómeno. Muitos destes casos de testemunhas oculares não entram para as estatísticas pois as pessoas receiam falar do assunto, receiam que não acreditem nelas ou que as considerem, no mínimo, excêntricas tal não são as atitudes de tabu e preconceito que rodeiam este assunto.

Muitos cientistas não se sentem à vontade para o examinar e alguns até o denegriram publicamente! Porém algumas das testemunhas do fenómeno são… cientistas (!) Além de uma parte das testemunhas oculares serem cientistas algumas são militares, policias, pilotos, controladores de tráfego aéreo, etc. Por outro lado, o testemunho de pessoas não consideradas “observadores treinados” (transeuntes, donas de casa, agricultores) não deve ser desvalorizado sem mais nem menos. Há muitos estudos realizados para demonstrar que as testemunhas de um evento nem sempre o descrevem da mesma maneira. Porém, também há ocasiões em que isso acontece. Deve-se fazer uma investigação cuidada do caso e analisá-lo no seu todo para decidirmos se tem validade. Mesmo quando decidimos que um caso tem validade ainda assim é para deixar o assunto em aberto para puder continuar a ser investigado; não como algo que se deixa de lado.

No entanto, apesar da visão de Arnold ser considerada a primeira e o começo da Era Moderna dos OVNIs eles já tinham aparecido no ano anterior por praticamente toda a Escandinávia. Foi a “febre dos foguetes fantasmas” como a imprensa chamou ao conjunto de visões que aconteceram nos Países Nórdicos em 1947 e a anteriores essa data também, em 1936. Assim, torna-se fácil refutar a pretensão de alguns cépticos de que os OVNIs surgiram em 1947 devido à influência da ficção científica. Possivelmente existe uma linha contínua de surgimento de OVNIs que vem desde a mais remota antiguidade sendo nós quem faz essas (falsas) separações e divisões cronológicas: Era Moderna, Era Antiga, Era Contemporânea, etc. A forma como estamos a apreender a informação e a estabelecer (essas) categorias é que poderá estar (em muitos casos) distorcida, porque, como se sabe, os OVNIs, na nossa sociedade, tendem a ser um assunto tabu. Afirmamos querer a luz, o conhecimento, e, muitas vezes a repelimos (!)

     O assunto é, no entanto, apaixonante, e por isso, muitos acusam quem tenta investigar o fenómeno de forma rigorosa e objectiva, de “subjectivo”, de “iludido” ou de crente. Mas o método científico não pode deixar de ser aplicado a um assunto por ser ele apaixonante. Os cientistas estudam os fenómenos procurando explicações. Alguns desses fenómenos mexem com as paixões das pessoas, outros não, mas a Ciência debruça-se sobre eles. Ela não pode, pela sua natureza, excluir qualquer fenómeno que se dê no mundo sensível e assim parece ser o fenómeno OVNI.

       Eu tive sorte! Quando tinha 10-11 anos encontrei numa prateleira da casa de um amigo um livro de OVNIs. Antes de o abrir recordo-me que pensei “deixa lá ver quem nos quer convencer que vê discos voadores para me rir um pouco.” Quando abri o livro, surpresa das surpresas, não era o que eu estava à espera. Tratava-se de uma apresentação clara do fenómeno OVNI no seu todo com casos em que eram analisados dados intrigantes. Casos com muitas testemunhas, casos com pessoas que não procuravam publicidade, casos com vestígios físicos de OVNIs, casos estudados, por vezes, por sábios de reputação. Interessei-me e passei a investigar também, dentro do possível, até hoje, prestando sempre atenção aos casos de OVNIs. Sei que, se me tivesse deparado com um livro escrito por um charlatão que afirmasse estar em contacto privilegiado com extraterrestres que só com ele tomariam contacto para entregar uma mensagem especial à humanidade eu hoje não acreditaria em OVNIs. Poder-se-ia dizer que teria uma visão completamente errada da ovnilogia. Não acreditaria que HÁ um fenómeno para ser estudado, que esse fenómeno parece ser, pelo menos em parte, tecnológico e tem uma (ou várias) inteligência (s) por trás embora saibamos ainda pouco ou nada sobre as suas origens. Aquele livro (ainda hoje o tenho!) chama-se À Descoberta dos OVNIs de Jacques Scornaux e Christiane Piens.

       Na ovnilogia cada caso é um caso e cada caso tem uma explicação diferente. Por exemplo, cada síndrome deve ter uma explicação geral diferente. A ovnilogia não é homogénea; tem as suas síndromes. A síndrome do contactado, a síndrome de sequestro (abdução), as testemunhas comuns. É terrível ser céptico só porque sim, sem conhecer o assunto e pôr tudo no mesmo saco. Assim temos as testemunhas comuns de OVNIs; aquelas pessoas que, muitas vezes, nunca pensaram em OVNIs, estavam a fazer a sua vida comum e normal de todos os dias quando de repente e sem esperarem viram um objecto ou tiveram um encontro. São pessoas normais, de qualquer faixa etária (incluindo, por vezes, crianças), de todos os níveis culturais, étnicos e de inteligência. Por vezes, recusam-se a tornar públicos os seus nomes com medo do ridículo mas são pessoas que existiram ou ainda existem e, por isso, os OVNIs não podem – não em todos os casos – ser agrupados na categoria dos mitos urbanos.

         Cada caso individual de cada testemunha comum ou normal deve ser investigado com cuidado, método e crítica para vermos se estamos mesmo perante um caso autêntico de Objecto Voador Não Identificado (OVNI), ou perante ou caso de Objecto Voador Identificado (OVI), ou ainda perante um engano ou perante uma fraude.

         Do meu ponto de vista pessoal a investigação e a reflexão sobre os OVNIs não é impedimento para o exercício do pensamento científico, antes o fomenta; a (aparente) não existência de provas materiais relativas a OVNIs, ou melhor, de um OVNI que possa ser analisado, palpado e dissecado não constitui obstáculo à reflexão crítica acerca do fenómeno nem à investigação científica séria porque o cientista deve sempre debruçar-se sobre o “todo”. O corpo dos dados do fenómeno OVNI varia muito, indo desde as marcas de aterragem até à observação das testemunhas e da sua Psicologia. Seria muito forçado explicar o relato das testemunhas simplesmente através do engano ou da fraude. Não é credível que uma imensidão de pessoas se tivesse reunido para enganar os investigadores. Se a Ciência se limitasse a dar crédito a uma coisa só quando a coisa é vista e tocada pela experiência comum (e aqui seria interessante reflectirmos acerca do que consideramos que é a “experiência comum”!) não faria mais do que fazer aquilo que até as crianças pequenas fazem: confirmar uma coisa ou pessoa quando a vêem (!) Elas vêem uma casa e dizem “casa”, vêem um cão e dizem “cão”. Algo mais deve definir o pensamento científico. Ou devia!

     Para outras coisas, somos capazes de assumir que a Ciência deve ter capacidade de fazer previsões. Estas previsões não aparecem do nada. O cientista deve estudar primeiro os fenómenos. Assim, o mesmo deve acontecer também naquilo que se convencionou chamar ovnilogia e que não é aceite como disciplina científica mais por preconceito do que por falta de dados. Dados intrigantes, esses sim, sabemos que existem e fechar os olhos a esse aspecto ou refugiarmo-nos, por comodismo ou um medo estranho qualquer, em explicações fáceis é que não é nada científico!

      Aqui, neste ponto, entramos na delicada questão das provas: se há provas, se não as há, se deve ou não a ciência ocupar-se com o assunto, etc. A maior parte dos detractores (Carl Sagan, Philip Klass) afirma que não há provas conclusivas de que naves extraterrestres visitam a Terra. Porém um excelente investigador de OVNIs, que estava a par de muitos dados relativos a este assunto por ter pertencido à Marinha dos Estados Unidos da América, o major Donald Keyhoe disse ao produtor Alan Landsburg “não há apenas indícios, há provas. Observações visuais, informações – tudo referido ao mesmo, objectos voando sobre o local. Há o radar, que, em duas posições diferentes, localizou objectos e os seguiu. Fotografias de radioscópio, todas elas mostrando exactamente o que aconteceu. Durante algum tempo a Força Aérea recusou-se a divulgar todo e qualquer registo feito pelo radar, negando mesmo que tivessem sido seguidas pistas. Finalmente admitiram que tinham tais dados, mas que nenhum deles era significativo. A única conclusão a tirar era a de que estavam a seguir objectos reais que se encontravam sob controlo inteligente.” (No Rasto de… Extraterrestres, Alan Landsburg, pág. 27, Europa-América) Aqui há outro facto interessante a ressaltar, o facto de nem todas as testemunhas serem humanas como por exemplo os testemunhos de radar que ficaram algumas vezes registados e os testemunhos de animais. Os animais são, muitas vezes, os primeiros indicadores da aproximação de um OVNI pois tendo o sistema límbico mais desenvolvido que o do Homem apreendem instintivamente a aproximação de algo fora do vulgar assim como muitas vezes são os primeiros a “avisar-nos” de outros fenómenos como os tremores de Terra ficando demasiado agitados antes do acontecimento.

      Ainda segundo o major Keyhoe a Força Aérea dos Estados Unidos, nos seus projectos Grudge e Blue Book, embora tivessem proclamado a inutilidade do estudo do fenómeno OVNI perante o público, teriam chegado à conclusão (confidencial) que os OVNIs são naves de seres vindos do espaço exterior e que era importante monitorizar as suas actividades. Aliás, enquanto negava o fenómeno para o grande público os pilotos da Força Aérea tinham ordens de perseguir os inexistentes OVNIs e abatê-los (o que não é nada sensato diga-se de passagem!) Também se veio a saber dos memorandos com pesadas multas e penas de prisão para militares que falassem disto ao público (!)

      Segundo as palavras do Major Keyhoe a Força Aérea dos Estados Unidos teria chegado à conclusão confidencial de que os OVNIs são veículos especiais de outros mundos. Sendo oficial da Marinha dos EUA ele devia saber do que estava a falar. Mas a ovnilogia para mim não tem valor apenas por causa de meras histórias como esta que passam de boca em boca, nem é ela meramente constituída por isso. As histórias que se contam de boca em boca podem ser – e muitas vezes o são – inventadas – não é preciso ser um grande céptico para saber disso! Na ovnilogia existem histórias de OVNIs “más”, isto é falsas, inventadas e histórias de OVNIs genuínas isto é “verdadeiras”, em que algo aconteceu, alguns factores o demonstram ou parecem demonstrar e tornam esse caso específico intrigante, fascinante e possivelmente verdadeiro. O fenómeno OVNI genuíno distingue-se do Mito Urbano. No Mito Urbano temos muitas vezes uma história que se diz que aconteceu com tal testemunha e depois vai-se a ver e a tal testemunha não existe! É geralmente a tal história que aconteceu a um “amigo do amigo do outro amigo”. Em muitas histórias OVNIs no entanto as testemunhas estão lá, existem e são pessoas reais. Os objectos não identificados também podem deixar vestígios. Mas o mais singular não é as testemunhas existirem apenas; é a forma como se comportam. Algumas não querem ser conhecidas nem procuram publicidade. Podem haver várias testemunhas a descrever ter visto a mesma coisa estranha, etc. Às vezes, a presença de um ou mais destes factores concorre para estabelecer aquilo que alguns investigadores chamam caso significativo. É certo que um caso significativo não é uma prova considerada científica, mas que esses casos fazem muitas pessoas inteligentes franzir os sobrolhos, faz!

        As histórias que se contam de boca em boca (e que podem realmente ser muitas vezes inventadas) são uma pequena parte da ovnilogia. Existem casos DE CONFIANÇA com uma ou mais testemunhas, casos que foram bem controlados em termos de investigação por investigadores competentes. Isto, o céptico dogmático não pode afirmar que é falso. Hoje em dia dá-se muito valor ao que é feito ou dito por cientistas. Se um cientista disse ou fez é porque deve ser verdade. Pois bem alguns desses investigadores são cientistas e demonstraram que a Ciência não deve ter medo de nada, que a Ciência não deve ter tabus. Se temos uma Ciência de tabus (geralmente mal-dissimulados!), se temos uma Ciência acerca do que deve ser investigado e de o que não deve ser investigado ou acerca do que pode existir e do que não pode existir então estamos mal…

       Por vezes, há mais que uma testemunha que viu a mesma coisa que as outras testemunhas (testemunhas independentes ou grupos de testemunhas). Outras vezes as testemunhas de OVNI são crianças que facilmente seriam apanhadas a mentir ou que muitas vezes confessam mais tarde a mentira… Se somos um certo tipo de cientista então ou um céptico dogmático que não admite que o é porque não admitirmos que temos preconceitos que arruínam uma investigação ou uma conclusão válida? Será que o fenómeno OVNI não é importante como concluiu o Relatório Condon e não nos diz algo do nosso lugar no universo? Se for, verdadeiro como suspeito que o seja, não nos ensinará uma humildade? Ou é melhor escolher a arrogância?

      Alguns cépticos, como Carl Sagan, criticavam a ovnilogia dizendo que “histórias há muitas”. No entanto, não se dão ao trabalho de investigar as histórias mais intrigantes. E quando o fazem é para procurar encaixar ali, à força, uma explicação “normal”. Ora, às vezes isso não pode ser feito porque há demasiadas características no caso que reforçam a sua credibilidade. Será que os cépticos nos ensinam, de facto, a pensar? Frequentemente, nem fazem a tal investigação exaustiva que supostamente defendem. Muitas vezes limitam-se a arranjar explicações fáceis para casos MUITO intrigantes e, ao que parece, com alívio, deixam o caso de lado. Não só algumas destas histórias estão bem atestadas (de provas ou indícios intrigantes) como é um facto (positivo) que a ovnilogia (apesar de não ser ciência) não é apenas feita de histórias ou anedotas. Tais críticas demonstram um conhecimento da ovnilogia e uma vontade de denegrir o assunto. Demonstram também o medo de qualquer coisa. E a Ciência nunca pode ser feita de medo. Não deve. O medo e o preconceito são atitudes prejudiciais à Ciência. Quando o homem veste a bata de cientista deve livrar-se do desejo de acreditar mas deve livrar-se também do desejo de não acreditar.

     A ovnilogia é mais do que meras histórias que passam de boca em boca, mais do que charlatães que dizem ter sido contactados, mais do que investigadores que se apressam a dar respostas ou que conduzem investigações mal feitas. A ovnilogia é feita principalmente de testemunhas reais que muitas vezes não querem dar a cara por temerem o ridículo, vestígios físicos dos OVNIs e investigadores competentes, alguns dos quais, cientistas! Por vezes, há fraudes mas são raras e relativamente fáceis de desmantelar. Ted Philips, por exemplo, encontrou alguns casos de “marcas de aterragem” ou “ninhos de disco” falsificados; num dos seus casos, por exemplo, no terreno queimado havia indícios de gases provenientes de gasolina e foi fácil conseguir que os jovens que tinham construído os “ninhos” confessassem a brincadeira e o porquê dela: queriam ver as reacções das pessoas a uma notícia de aterragem de um OVNI! Também é absurdo considerar como o céptico Philip Klass que todas as marcas de aterragem são “anéis de fadas”, círculos provocados pela acção fungicida de certas plantas. Aí se está, mais uma vez, no reino das explicações fáceis, das generalizações abusivas e da má ciência… É preciso fazer a pergunta “um anel de fadas provocaria um ninho destes?”, “houve ou há indícios de radioactividade?”, “os elementos gerais da história (as testemunhas procuram publicidade ou são recatadas, são muitas ou poucas, etc.) apontam para uma possível veracidade do caso?”, etc., não se podem formular juízos tão levianamente.

     Por exemplo, praticamente todos os cidadãos (10.000 habitantes) da cidade de Phoenix, no Arizona, viram, fotografaram e filmaram um OVNI em forma de Bumerangue que apareceu na noite de 22 Janeiro de 1997 e que ficou parado um longo tempo no ar por cima da cidade com as luzes a piscar. Então? Isto prova alguma coisa ou não prova? O testemunho de 10.000 pessoas não é importante? Ainda assim, estava um céptico no Larry King Live a dizer que as testemunhas tinham visto… um grupo de aviões! Ele que, nem estava no local quando o objecto apareceu, deveria saber melhor (pelos vistos!) do que as pessoas o que elas viram… Este é um exemplo entre muitos que poderíamos dar do cepticismo da treta… Claro que ainda falta averiguar neste caso em particular que tipo de OVNI é que as pessoas viram. O OVNI que sobrevoou o Arizona na noite de Janeiro de 1997 era extraterrestre ou uma experiência militar secreta dos EUA?

           Um conhecimento superficial da ovnilogia pode levar a críticas e ideias feitas sem base. Por exemplo, muitos dizem que só os “amigos” dos OVNIs, as pessoas que se interessam pelo assunto, os excêntricos ou os loucos, os vêem. Não é verdadeiro. A estatística de Claude Poher baseada no estudo de um milhar de casos, lembram Jacques Scornaux e a sua mulher Christine Piens (1978) é bastante elucidativa: os OVNIs são observados por pessoas de diferentes classes e profissões. Pilotos (12%), astrónomos (4%), cientistas (12%) já observaram OVNIs. Pessoas com cargos de responsabilidade e alguns observadores treinados. Não estamos portanto na categoria dos mitos urbanos: a história contada pelo primo do tio do amigo que ninguém conhece. Estas são ainda, por cima, estatísticas apuradas. Com efeito, muitas pessoas que viram OVNIs não contaram o caso a qualquer autoridade, policial ou científica. Porquê? Medo do ridículo. Em certas companhias aéreas os pilotos que vêem OVNIs tendem a ser dispensados (Scornaux e Piens, 1976). Houve uma época em que o governo americano multava em 10 mil dólares qualquer piloto (militar ou civil) que declarasse publicamente uma experiência com OVNI. O ex-presidente americano Jimmy Carter e um grupo de amigos tiveram uma bela visão de OVNI para a qual foi arranjada logo a habitual desculpa desnaturada por parte dos habituais cépticos do pau oco, de que o presidente e o seu grupo de amigos tinham visto o planeta Vénus. Algumas pessoas vêem, com efeito, OVNIs em tudo mas esse caso é um pouco mais complexo.

     Scornaux e Piens relembram com razão que não existe aliás qualquer motivo para que pessoas de condições sociais mais humildes ou mais desfavoráveis não vejam OVNIs. A sociedade simplesmente dá mais credibilidade a pessoas de outras condições sociais. Uma ideia nascida na antiga Rússia comunista era a de que “só os burgueses vêem OVNIs.” A análise estatística de Poher mostra que 16,5% dos observadores são agricultores, operários ou empregados (Scornaux e Piens, 1976)

      Outra ideia feita diria que as testemunhas ou observadores estão sempre sós pelo que seria difícil corroborar a “visão”. Também é falso! Em 65% dos casos do trabalho de Poher há mais do que uma testemunha. Se estes trabalhos, de algum rigor científico, e outros a nível “experimental” (recolha de vestígios de OVNIs, análise de marcas de aterragem, etc.) fossem mais conhecidos haveria menos críticas superficiais à ovnilogia. Aliás, se a crítica é por a ovnilogia não ser suficientemente científica porque não vêm esses críticos dar o seu contributo? Cépticos empedernidos, no entanto, jamais conseguirão fazer isso. Não é do seu interesse. Não conseguiriam fazer avançar o conhecimento se dependesse deles pois nada se consegue quando tudo o que se sabe fazer é negar. É a este nível que os “teóricos da conspiração”, como David Icke, acreditam que há tentativa de manipulação das nossas mentes. E de facto há certos sectores da nossa sociedade que tentam puxar para o dogmatismo, para uma falsa percepção do que é ou deve ser o espírito crítico, etc.

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RESTANTES CAPÍTULOS : A LANÇAR BREVEMENTE EM MULTI PLATAFORMA!

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