2 Encontros Imediatos do Segundo Grau

Luis Lourenço

Ao intitular este capítulo “encontros imediatos do segundo grau – casos de qualidade” não quero que os leitores caiam na falácia de que os casos do primeiro grau não têm qualidade. Por outro lado, é preciso lembrarmo-nos de que há alguns casos do segundo grau que não têm qualidade porque as provas foram forjadas. Mas esses casos não nos interessam aqui. E, aliás, quem inventa um caso de OVNI geralmente inventa logo um caso de encontro imediato do terceiro grau que chama mais a atenção e é mais sensacional. É o caso dos “contactados” ou contactees. No entanto, nem todos os casos de Encontros do 3º Grau são casos relatados por contactees mas por aqueles que chamamos “testemunhas comuns” do fenómeno OVNI, isto é, pessoas normais que estavam ocupadas com os seus afazeres, e que, de repente, viram um OVNI, relataram o assunto a investigadores (muitas vezes não o fazem) e esqueceram o assunto não voltando mais a ver um OVNI, nem se interessando pelo tema.

Aqui relato alguns Encontros Imediatos, que considero de qualidade tanto pelas características dos casos em si como pela qualidade do trabalho realizado pelos investigadores. Um bom critério de qualidade é quando as características gerais do caso são muito boas, isto é, quando reforçam a possibilidade do caso ser verdadeiro. Por exemplo, haver muitas testemunhas, elas serem de boa reputação, haver vestígios físicos do OVNI, etc., isto associado ao facto de terem percepcionado um estímulo que faz pensar imediatamente numa hipotética máquina extraterrestre. Tudo isto para mim que me considero um crítico, e não um céptico, são factores indicadores da boa qualidade de um caso, de que ele é possivelmente verdadeiro, de que pode ter acontecido tal como a testemunha o narrou ou de que pode estar realmente implícita uma visita extraterrestre à Terra nesse relato. Se a Ciência, no caso dos “fenómenos inexplicados”, só disser que “sim” quando é mostrada uma “prova concreta” como um OVNI inteiro (sempre se poderia argumentar que um pedaço de OVNI poderia ser outra coisa qualquer) não faz mais do que o senso comum quando diz que chove porque vê a chuva a cair. Nesse caso para que serviria a Ciência se apenas dissesse que algo é real só porque viu ou vê esse algo? Os astrónomos não teriam começado sequer a estudar os buracos negros…

O Caso da Família Critchfield, 1975

Carroll Critchfield e a sua família viviam em Big Chimney, na Virgínia Ocidental, região rural da América, região de minas de carvão, região de características agrestes, era, havia umas décadas, uma região agreste composta de rochas e verdes pinheiros…

O jornalista e investigador Alan Landsburg, que fez uma reportagem sobre o caso, descreveu Carroll Critchfield como “um homem alto e desajeitado. “Os seus movimentos, tal como o seu falar suave à maneira da Virgínia Ocidental, são lentos e cautelosos”. Trabalhava como capataz numa fábrica de produtos químicos. “É calmo, simpático, quase acanhado. Sentia-se pouco à vontade quando começou a narrar os acontecimentos de 12 de Junho de 1975” (Landsburg, 1976), característica essa típica de testemunhas de boa-fé. Não se apressem os cépticos que não estou a considerar isso uma prova…

A família Critchfield tinha acabado de assistir a um jogo (provavelmente de futebol americano) em que tinha jogado a equipa favorita de Jerry (e sofrido uma “estrondosa derrota”); voltavam para casa de carro (Carroll ao volante) desanimados, quando se depararam com “o bojo inferior daquilo que parecia ser uma nave espacial”, um objecto em forma de diamante que pairava acima de umas árvores que estavam junto à estrada.

À medida que descrevia (a Alan Landsburg) aquilo que tinha visto «a voz de Carroll tornou-se mais suave. Semicerrava ligeiramente os olhos por detrás dos óculos grossos de aros escuros. Queria ter a certeza de que traçava o retracto exacto. “Olhei por cima e vi um objecto de grandes dimensões em forma de diamante, com as extremidades achatadas e flutuando mesmo por cima das copas das árvores, a minha mulher começou a gritar e eu procurei então um sítio onde pudesse sair da estrada e parar para olhar para aquilo”».

“Aquilo” estava “a uns trinta ou quarenta pés acima das árvores, que, por sua vez, têm cerca de quarenta pés de altura”. “Isto” disse ele “é apenas um cálculo, não é verdade? Todas as luzes pareciam estar situadas na parte superior. A forma do objecto era bem visível”.

Este é um bom caso! Uma família inteira, que levava a sua vida pacata naquela área rural dos EUA e que provavelmente nunca se interessou muito por OVNIs depara-se, de repente, com qualquer coisa estranha, ALGO do OUTRO MUNDO! Nunca procuraram qualquer publicidade, nem escreveram livros acerca do assunto como o falecido céptico Philip Klass sugeria que as testemunhas faziam. Bom, há muitos exemplos bem documentados e com testemunhas fidedignas na ovniologia de que nem sempre é assim!

Todos viram o mesmo estímulo que não era nem um avião, nem uma estrela, nem o planeta Vénus mas antes parecia “uma nave especial” ou “uma nave em forma de diamante”. E é preciso não esquecer que o objecto estava a poucos metros de distância!

Outro elemento importante e corroborativo da história da família Critchfield é terem encontrado marcas de aterragem no local. O mais conhecido especialista em marcas de aterragem de OVNI nos EUA é Ted Philips, iniciado nestas andanças pelo já falecido decano da ovniologia Allen J. Hynek, e que elaborou um catálogo universal de marcas de aterragem de OVNI. Ted apenas catalogou os casos que pareciam verídicos ou verosímeis e sempre afirmou que as marcas forjadas são relativamente fáceis de detectar. Num dos poucos casos de fraude com que se deparou a terra tinha sido queimada com gasolina!

A testemunha principal do caso teve a ideia de submeter-se a um detector de mentiras e passou no teste! Em seguida, dois dos seus filhos, Jeff e Jerry decidiram submeter-se ao detector de mentiras e passaram também. É certo que os cépticos gostam de dizer que um detector de mentiras ou polígrafo pode ser enganado embora se esqueçam de lembrar que é difícil toda uma família ou grupo enganar um detector de mentiras! Isto também aconteceu no caso de Travis Walton que analisaremos mais à frente. Se isto prova alguma coisa não sei mas de qualquer forma o conjunto de todos estes elementos, na minha opinião, reforça a credibilidade do caso!

O Caso da Família Baker, 1975

Outro caso de Encontro Imediato significativo, também ocorrido nos EUA, é o caso da família Baker. Também é relatado no livro No Rasto de… Extraterrestres de Alan Landsburg. A 13 DE Março de 1975, à noite, pelas 21 horas, Philip Baker estava em casa sentado a examinar uma caixa de sementes que havia encomendado e acabara de receber quando a sua filha entrou em casa assustada. Tinha ido pôr os gatos na rua mas tinha visto algo que a assustou e voltou logo para casa. O pai foi com ela à rua e viram um objecto “em forma de cúpula” que tinha um halo brilhante. “O exterior estava rodeado de luzes de um verde azulado e vermelhas e no centro tinha uma luz muito brilhante que parecia vir do interior. Era muito brilhante e quando a fixava tinha de semicerrar os olhos” disse Phil.

O objecto de repente “produziu um som contínuo muito alto e estrídulo” que depois parou. Phil, sua mulher e a sua filha, Jane Baker, observaram o objecto e apesar de assustado Phil tentou aproximar-se um pouco, porém, a mulher gritou-lhe que não o fizesse, que fossem antes chamar alguém. Apesar de reticente, pois sabia como eram, em geral, consideradas as testemunhas de OVNIs, Phil concordou em chamar o sub-xerife do Condado mas quando este chegou já não havia mais nada para ver. Não obstante, mais tarde, nessa noite, o próprio sub-xerife e os seus ajudantes viram luzes invulgares a evolucionar nos céus de Ashland County.

Aqui, neste caso, mais uma vez uma pacata família de uma zona rural dos EUA encontra-se inesperadamente face a face com o Desconhecido. As testemunhas eram pessoas idóneas atestaram o sub-xerife e os habitantes de Ashland County aos investigadores na altura. Ao que parece não costumavam pensar em OVNIS e eis que no entanto nos reportam o que chamo de um caso de qualidade que no seu todo apresenta-se, depois de investigado com cuidado, absolutamente credível. A reforçar o testemunho dos observadores iniciais, a família Baker, temos a observação do sub-xerife e dos seus ajudantes de luzes estranhas no céu.

O Caso da Família Kay

Este caso é muito positivo porque além do testemunho da família Kay, habitantes de Medford, no Minnesota, também nos EUA, existe ainda o testemunho complementar das autoridades policiais e vestígios físicos. Este caso foi também investigado pelo produtor de No Rasto de…, Alan Landsburg, entre outros investigadores. A família Kay viu pelas 21 h e 30 uma “esfera” brilhante tocar o chão de um campo de futebol a cerca de 400 pés da sua residência. Um dos filhos seguiu o objecto quando ele subia uma encosta mas acabou por perdê-lo. No dia seguinte toda a família saiu para investigar e encontrou uma área desidratada no sítio onde o OVNI aterrara. Na mesma noite, um polícia da Patrulha da Estrada, Andy Nesvic, fez o relato de que havia visto luzes brilhantes no céu.

A posterior análise do solo mostrou fortes indícios de radiação. Segundo apurei no livro de Alan Landsburg a família Kay diz ter visto uma “esfera” brilhante e uma esfera pode ser muita coisa! Como já vimos, casos há em que o objecto observado, além de ter deixado vestígios, era claramente “uma nave”. Também neste caso pode ter sido (ou não). Se o rapaz que seguiu o OVNI o viu subir outra vez para o céu então é possível que tenha sido “uma nave”, vinda de algures, pois objectos naturais como meteoros ou cometas não fazem isso! É preciso, claro, algum cuidado na análise. Mas não tanto “cuidado” como o do céptico empedernido que acha que está a fazer um favor à ciência preparando-se para negar tudo. A propósito deste assunto, como disse o falecido Prof. Hynek, os vestígios físicos são uma maneira de levar o OVNI para o laboratório onde frequentemente SE CONSEGUE apurar se, por exemplo, as “marcas de aterragem” são afinal explicáveis ou mesmo estranhas e provenientes de fontes invulgares ou não. Depois, como bem sublinha Alan Landsburg, se não pudemos estudar o OVNI em si, porque não possuímos um, então talvez a Ciência deva estudar os OVNIs através daquilo que eles deixam: testemunhos, muitas vezes, perplexos, idóneos e não-contraditórios e vestígios físicos da passagem do OVNI pelo meio ambiente!

Assim, é preciso muito cuidado com o nosso “cepticismo”. Será sempre complexo discutir esta questão sem entrar em grandes polémicas. Uma delas seria se é correcto falar em provas da existência dos OVNI ou em evidências. Acho, antes de mais, eu, que não sou cientista, que a questão das provas ou evidências está na mente de quem acredita ou não acredita. Não se investiga para provar que é verdade, é certo. Investiga-se para VER-SE se é verdade. Agora, o que tem de se fazer é investigar! Actualmente, existe uma certa classe de pseudopensadores que identifica cepticismo com atitude científica, o que é lamentável. Chegam a criar grupos para “desmascarar OVNIs” ou o “desmascarar o paranormal”, como eles dizem! Desmascarar o paranormal! Deviam constituir grupos para ver se o paranormal existe ou não, o que é muito diferente! Mas, enfim, é só uma opinião…

Essa classe faz frequentemente (isto tornou-se quase uma moda nos EUA onde há muitos grupos de auto-proclamados cépticos destinados a desmascarar tudo o que é “paranormal”) a defesa de que não se deve pensar “naquilo”, de que é um falso assunto ou um falso mistério, uma pseudociência ou uma perda de tempo (relatório Condon, por exemplo). Porque não sabem pensar, e pretendo demonstrar isto no capítulo dedicado ao cepticismo) metem a ovniologia no mesmo saco da astrologia ou da quiromancia. Eu não subscrevo essa categorização! São também esses grupos que arranjam explicações do tipo “se estava ali o planeta Vénus, então foi isso o que as testemunhas viram”. Ou simplesmente põem de lado estudos que não estejam de acordo com a “visão do mundo” que defendem. Estas atitudes não podem ser chamadas científicas senão à custa de um grande trabalho de retórica! Se investigadores que “perdem tempo” com estes fenómenos são considerados por esses cépticos como tendo o desejo de acreditar a verdade é que eles por sua vez cultivam o desejo de não acreditar o que é igualmente prejudicial para um trabalho científico cuidadoso e crítico (crítico, não céptico!). Aqui neste ensaio eu não fiz esse trabalho; limito-me a pensar sobre os casos existentes e a fazer, espero eu, um pouco de Filosofia da Ciência já que os processos de pensamento que defendem esses grupos de cépticos dos EUA são processos de pensamento distorcidos. Eu tive epistemologia no 11º ano da escola secundária – graças a Deus! – e acho que alguém devia lembrar a esses senhores qual é a distinção entre os processos de pensamento céptico, crítico e dogmático! O cepticismo, no fundo, é um dogmatismo. O céptico não acredita, pede provas conclusivas mas, no fundo, nenhum tipo de prova o satisfaz! Também há, claro que sim, um “cepticismo sincero” mais difícil de encontrar. A pessoa que sinceramente não vê grandes indícios de que isto ou aquilo possa ser real e portanto não aceita. Mas não é preciso ser Psicólogo para ver que muitos cépticos são realmente inspirados por uma atitude extremamente defensiva. Eles também parecem esquecer, pelas acusações que fazem a que investiga, que tomar a possibilidade ou a hipótese de algo em consideração não quer imediatamente dizer acreditar…

Eu não perderia tempo a tentar provar coisa nenhuma a um céptico, a uma pessoa que tem necessidade, por alguma razão, real ou imaginária, de ter processos de pensamento tão defensivos. Muitas histórias de testemunhas credíveis, às vezes, relatos em primeira mão, não são sequer analisadas pelo céptico pois são consideradas “anedotas” que para a ciência (o céptico socorre-se sempre da ciência da qual o cepticismo “seria parte importante”!) não têm qualquer valor. Já se decidiu isso à partida. Ou seja, ele, o céptico, arranja sempre uma maneira de se escapar!

Os factos, esses, existiram e, por vezes, foram bem investigados e documentados. Também existem certamente os boatos e a fraude, mas nem todos os relatos são do mero domínio da “anedota” ou do “mito urbano” uma vez que algumas testemunhas foram fotografadas, entrevistadas, filmadas, é porque ao menos as pessoas que relataram os eventos eram reais e, em muitos casos, podem ter visto realmente “alguma coisa. Recentemente saiu um texto, na INTERNET, por exemplo, que tentava demonstrar que o Caso de Voronehz, na Rússia tinha sido uma mera invenção da imprensa sensacionalista o que qualquer pessoa que averigúe os factos saberá que não é verdade.

Aqui certos cientistas e certos cépticos conduziriam a questão para outro ponto, a saber, qual seria ou é a validade do relato destas pessoas. Nesta área sabemos que existe muito má vontade da parte deles em conhecer o assunto que criticam uma vez que a validade desses relatos está em muitas questões adicionais ao relato e que este pode trazer especificado (ou não) qual foi o comportamento do relator ou relatores posteriormente ao encontro imediato. A pessoa foi à polícia? Fez publicidade? Pediu o anonimato? Podem igualmente existir “singularidades” noutros aspectos do caso: o OVNI deixou marcas no local/afectou o meio ambiente? Houve testemunhas independentes? Etc., etc. Todos estes factores contam na “resolução” (e se fossemos dogmáticos não punha-mos a palavra resolução entre aspas!) de um caso de OVNI.

Talvez o género de provas actual não sirva para fazer Ciência no sentido convencional do termo e, sem dúvida, não agradará a gregos e a troianos mas é o melhor que temos e é aquilo com que podemos trabalhar. A nossa imaginação, que também é um instrumento a usar em ciência, já tem o suficiente com que trabalhar… Muitas pessoas verem um OVNI, isso poderá ser uma prova? Os observadores serem testemunhas de altas credenciais como polícias ou militares, isso será uma prova? Existirem observadores assustados ou mesmo traumatizados ou radioactividade no local de aterragem, isso será uma prova? Eu não sei. Digam-me vocês…

Segundo os peritos em ovniologia seriam inúmeros os exemplos de casos em que houve aterragem com manifestações de radioactividade no local. O exemplo que se segue é o chamado caso da ilha de Reunião, acontecido no dia 31 de Julho de 1968 pelas 9 horas. Foi reportado pelo investigador francês Guy Tarade e por Henry Durrant na sua magistral obra Os Estranhos Casos dos OVNI (Livraria Bertrand, 1977). Exemplo:

“Na ilha de Reunião o cultivador Luce Fontaine, conhecido de todos como um homem honrado, casado com uma professora primária, colhia erva para os coelhos na planície dos Cafres, quando viu, numa pequena clareira, à distância de vinte metros, um objecto de forma oval, com cerca de cinco metros de diâmetro e dois ou três de espessura, o qual planava a um metro do solo. A parte central do engenho era transparente e Luce Fontaine observou no interior do estranho veículo duas formas bojudas semelhantes a “bonecos Michelin”, com cerca de um metro de altura. Um deles descobriu o cultivador e imediatamente se produziu um clarão que ofuscou a paisagem sob uma fantástica explosão de luz branca. Fontaine baixou os olhos para os proteger e quando tentou olhar de novo para o objecto este tinha desaparecido. Com medo da troça, Luce Fontaine, não preveniu imediatamente as autoridades. Dez dias depois quando os inquisidores da Protecção Civil se dirigiram ao local com contadores Geiger tiveram a surpresa de detectar vestígios de radioactividade apesar das fortes chuvadas que haviam caído sobre a região durante vários dias. Prosseguindo as suas investigações, verificaram que o vestuário que o cultivador trazia no dia do seu encontro com o disco voador estava impregnado dela.”

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