Um Psícologo a analisar OVNIOLOGIA ?!

Dr.Luis Lourenço

Muitas vezes me perguntam: “OVNIS, porquê? O que vês nisso?” Porque os OVNIS, então? Porquê este interesse? Também poderíamos perguntar, com legitimidade, porque cura a vacina? Para quê andar de bicicleta? Não há porquês! Anda-se de bicicleta porque se gosta, pronto! E quem não gosta de um bom mistério? Será que interessa, de resto, o porque de a vacina cura desde que se a possa usar e com êxito? Mas estamos na nossa velha civilização ocidental, uma civilização altamente intelectualizada, que tem a mania dos porquês e que nem sempre se contenta em utilizar algo; quer saber o porquê! Do mesmo modo, gosto deste tema. E de outros. E acho que ser cientificamente honesto é fazer perguntas; questionar, discutir, interrogar, reflectir e não pôr de lado como “tema inválido para a ciência” no que seria uma atitude de cepticismo tendencioso atitude essa que desprezo porque tem sido perniciosa para a própria Ciência.

 

Por outro lado, no âmbito deste livro pode ser útil referir alguns pontos importantes ligados àquilo que considero as vantagens de investigar e pensar os objectos de estudo da ovniologia que são os OVNIs – Objectos Voadores Não Identificados e o que podem ser as motivações subjacentes ao cultivo dessa investigação. É importante ter em conta que aquilo que hoje parece “não ter interesse” (para alguns) ou ser “obra da ficção” pode ser importante amanhã e já considerado verdadeiro. Além disso, a abertura mental a certas possibilidades é a única coisa que nos leva A PENSAR sobre elas e isso obrigatoriamente alarga o nosso campo de consciência.

 

Os OVNIs são o passatempo (um dos passatempos) que arranjei. Gosto de raciocinar sobre eles; estimulam-me o intelecto e a imaginação, gosto de pensar sobre o assunto. Mas é preciso saber raciocinar. Se acreditamos, é preciso saber porque acreditamos. Se nos recusamos a acreditar porque isso não pode acontecer ou esse tipo de coisas é impossível, bom, isso é mau mas suponho que é um atalho para o pensamento. É aliás esse tipo de atitude, mau para a Ciência mas que por vezes aparece disfarçado (por alguns) de pensamento científico, é que eu crítico. A possibilidade de vida extraterrestre, e mesmo de visitas à Terra sem contacto oficial, vai contra um receio do Homem que é um receio, creio eu, narcísico, o medo de admitir a possibilidade de existência, no universo, de inteligências maiores que a sua.

 

Ora, em Ciência não nos podemos portar assim; não podemos deixar que esse tipo de receio detenha o trabalho científico honesto e sério que se pretende fazer. Aquele receio existe em certas criaturas com tal força que elas nem sequer querem olhar para o assunto ou então apegam-se depressa à primeira explicação que aparece mesmo que essa explicação seja absurda ou tenha sido forjada à pressa por alguém que deseja sentir-se seguro na sua mundividência “de o tamanho de uma ervilha” como diz o investigador David Icke. Aquele receio faz frequentemente alguém acusar quem se interessa pelos OVNIs de ser defensor da hipótese extraterrestre.

 

Essa atitude tem sido muito comum por parte de alguns intelectuais. O céptico de mentalidade fechada, racionalista dogmático, quase sem excepção, defende que só há dois lados da polémica OVNI: quem acredita (na hipótese extraterrestre dos OVNIs) e quem não acredita sendo quem acredita “idiota”. Se lermos os seus livros e publicações isto estará implícito nos discursos dele. Bom, está errado. É certo que existem maus ovniologistas mas entre o preto e o branco há certamente vários graus de cinzento e ainda sobrará umas outras cores.

 

Quem se interessa por OVNIs estará a fazer um trabalho científico (se seguir certos parâmetros que fazem a Ciência ser digna desse nome) e não estará necessariamente à procura de naves extraterrestres com ETs lá dentro. Pode estar à procura da Verdade. Sim, isto pode ser uma surpresa para os chamados “espíritos fortes” mas quem investiga OVNIs pode andar à procura não do OVNI mas da verdade. E, facto importante, tem a coragem de andar à procura. Não deixa de fazer uma investigação só porque os nossos meios sociais conotam as palavras “disco voador” com algo de ridículo. Que faz tal conotação? O meio sócio cultural em que vivemos, ele próprio devendo ser sujeito à Ciência e pejado de preconceitos!

 

Outra coisa importante é que o “crente”, como o racionalista dogmático lhe chama ou vê, coloca TODAS AS HIPÓTESES e as vai descartando à medida que não precisa delas. Quando um caso permanece impermeável a toda a explicação permanece “desconhecido” ou “por explicar”. O racionalista dogmático pode dormir descansado isso não significa que se aceitou a hipótese extraterrestre embora por razões de honestidade intelectual (também) não se possa prescindir dela. Para todos os efeitos ela está lá – como hipótese – até se poder, um dia, explicar aquele objecto ou objectos que apareceu, ou apareceram, em tal ou tal caso. É caso para perguntarmos, portanto, o “antipático” dos OVNIs está com medo de quê???

 

Se for verdade que os Discos Voadores existem as implicações são imensas para a sociedade e para todos nós. Desde as questões da propulsão destes engenhos até à organização política e social (que podem ser melhores ou piores que as nossas) dos seres que nos visitam até às questões acerca da origem ou proveniência destes seres até à questão fulcral da motivação (aqui está uma questão em que saber o “porquê” parece valer a pena!) de nos visitarem (?), vale a pena conhecer estas coisas até para que, um dia, elas não nos apanhem desprevenidos como sempre acontece quando o Homem se arma em gabarolas!

 

Surgiu há umas décadas atrás uma classe (demasiado) entusiástica de cépticos que defendem que a ciência é cepticismo ou tem muito a ver com essa atitude, etc. Isto é um erro. A Ciência não tem nada a ver com cepticismo; a Ciência deve ter algo a ver, sim, com uma atitude de criticismo porque esta atitude primeiro toma em consideração, dentro do possível, os dados tais como eles se apresentam. Uma grande parte destes intelectuais surgiram nos Estados Unidos e até forma sociedades para desmantelar o “paranormal”!

 

Aquela forma de cepticismo costuma vir – frequentemente – acompanhada por uma forma errada de raciocínio (e, tenho de chamá-lo, preguiça mental) que confunde Ciência com Cepticismo (Sagan, Randi, Klass) sendo por isso que seria legítimo rejeitar imediatamente estas questões sem pensar mais nelas. Será preciso dizer o porquê (outra vez os porquês!) de esta ser uma atitude extremamente tola? A Ciência não deve de forma nenhuma estar relacionada com o cepticismo porque o céptico NÃO QUER VER, já tomou uma decisão.

 

A Ciência terá mais a ver com CRITICISMO. A atitude crítica é que está do lado da razão. A crítica filtra e emprega o raciocínio, o pensamento honesto; o cepticismo NÃO! Sugerir tal absurdo, ameaça, a meu ver, as próprias bases da ciência (!) É impressionante que eu que não sou cientista tenha de dar aqueles senhores lições de epistemologia ou Filosofia da Ciência. Sempre que vejo um idiota a fazer pose e convencido de que os outros é que são ignorantes e a defender que a ciência é cepticismo e que o cepticismo é uma atitude científica só posso dizer isso dá-me muita, muita pena e que lamento imenso que seja assim que tal criatura pensa.

 

Também nos Estados Unidos da América houve (e ainda há!) grandes especialistas da ovnilogia que fizeram um trabalho bastante científico sobre os OVNIs como o falecido Dr. Allen J. Hynek. Ele criou um grupo com vários cientistas e alunos seus, o CUFOS (Center For UFO Studies). O grupo procurou fazer um trabalho o mais científico, rigoroso e sério com as provas (há uma enorme discussão à volta desta palavra!) de que dispunha. Hynek criou também algumas categorias importantes para estudo e arrumação dos dados. Quanto às visões, criou as subdivisões “disco diurno” e “luzes nocturnas”. Quanto aos contactos criou os famosos conceitos de “encontros imediatos” do Primeiro Grau, Segundo Grau e Terceiro Grau.

 

Quanto aos avistamentos a classificação é, do meu ponto de vista, limitada porque induz em erro. Percebo no entanto a intenção de Hynek que era descrever o assunto nos termos o mais simples possível para ele poder ser investigado pela Ciência. Ele descreveu os avistamentos em termos de discos diurnos e luzes nocturnas. Ora bem, nem todos os objectos que aparecem de dia são “discos” ou têm essa forma, nem todas as aparições de noite são “luzes”. É por aí, e apenas por aí, que este tipo de classificação tende a enganar. Quanto à proximidade das visões, a classificação é realmente boa e a mais simplificada possível. Primeiro Grau: visão do OVNI a curta distância (de forma a se saber que é um OVNI e não um OVFI – Objecto Voador Facilmente Identificável!); Segundo Grau: quando o OVNI deixa vestígios no solo, nas testemunhas, nos animais (paralisia, queimaduras, etc.); Terceiro Grau: é quando as pessoas vêem ou conhecem os tripulantes.

 

É altamente duvidosa a sugestão dos cépticos, de que o assunto esteja contaminado à partida pela influência da ficção científica. Factos intrigantes impõem-se e, se não servem de prova, quase o fazem. Por outro lado, os cépticos tendem muitas vezes a não olhar para casos que incomodam (pelo seu grau de veracidade) ou fazem-no de uma maneira deformada. Dir-se-ia que, por vezes, não descansam enquanto um detector de mentiras ligado a uma testemunha não começar a vacilar… e, no entanto, é possível que o detector de mentiras vacile sem o caso estar comprometido porque a testemunha pode simplesmente já estar cansada de tantos interrogatórios. Isto parece aplicar-se ao caso Travis Walton!

 

Se não for verdadeira a existência de OVNIs (o que para mim é duvidoso mas essa é apenas a minha opinião que não desejo impor a ninguém) as implicações dos avistamentos de OVNIs continuam a ser imensas para a sociedade e para todos nós. Porque é que as pessoas inventam então estas histórias, se nem sempre são loucas, nem sempre parecem querer enganar “papalvos”?

 

Haverá algum(s) fenómeno(s) psicológico(s) responsável, que falte estudar? Porque se manifesta o fenómeno OVNI da forma como se manifesta? Se os OVNIs não existem, interessa perguntar “Porque é que foi que os criamos? Porque necessitamos deles?” O interesse surge então em termos de PSICOLOGIA, da nossa psicologia, da nossa necessidade de acreditar em OVNIs. Aí poder-se-á falar de mera necessidade…

 

Tem havido pistas interessantes neste sentido. Nomeadamente, no caso da paralisia do sono. Este fenómeno, no entanto, é muito raro e custa a acreditar que, por exemplo, um milhão de pessoas, só na América do Norte, que se afirmam raptadas, sofram todas de paralisia do sono. Acredito que a solução deve estar num meio-termo entre estes dois pontos, entre o que é verdade e o que não é. Também devia haver uma Maturidade acerca da Abordagem destes assuntos e sua apresentação ao público e não há. O que parece suceder muitas vezes nas esferas militares, políticas ou da comunicação social é haver uma notícia excitante e, logo a seguir, um desmentido. Este padrão tornou-se habitual e é, a meu ver, irresponsável.

 

A Pulsão Epistemofílica (amor ao conhecimento) é dos caminhos para a descoberta/construção de uma espiritualidade/maturidade aquele que torna a vida mais saborosa e excitante, e, assim sendo, não há, a meu ver, disciplinas marginais. Pode parecer ser útil manter o povo na ignorância mas é prejudicial, prejudicial e impossível. Prejudicial porque a ignorância não pode ser boa para ninguém e impossível porque a verdade tende sempre a “vir ao de cima”.

 

Temos suspeitado, talvez com razão, que, se conhecermos um pouco melhor este universo em que vivemos, poderemos conhecermo-nos também um pouco melhor a nós próprios e, a partir daí, melhorar, optimizar a nossa existência. Ao conhecermo-nos melhor, passámos a saber quem somos e o que poderemos optar (ou pelo menos assim achamos).

 

Provar ou Não Provar?

 

Alguns cientistas negam o fenómeno dizendo não haver provas. Qual é o seu critério de prova? Um dia, no seu livro Relatório Sobre os Objectos Aéreos Não Identificáveis, o Capitão Eduard J. Ruppelt da Força Aérea dos EUA lançou a interessante questão “o que é que constitui uma prova? Para tanto será necessário que um OVNI aterre à porta do Pentágono (Ministério da Defesa dos EUA) nas proximidades do estado-maior? Ou constitui prova o facto de uma estação de radar captar na tela um OVNI, enviar um avião a jacto para interceptá-lo e o piloto ver o objecto, enquadrá-lo no radar de bordo, para vê-lo, em seguida, desaparecer a velocidade fenomenal? E quando um piloto de um avião a jacto faz fogo contra um OVNI e mantém o seu relato, mesmo ante a ameaça de conselho de guerra? Isto não constitui uma prova?” (Bueno, 1978)

 

Não se trata, para mim, de provar que os ovnis existem. Por enquanto, as provas são o que são. E considero que os cépticos têm uma certa razão, embora eles próprios não tenham consciência disso. Seria leviano aceitar a existência dos OVNIs dogmaticamente numa fase inicial de investigação. O que não se pode fazer é deixar de investigar sob o pretexto de que não existe! Cada pessoa tem o direito de tirar as suas conclusões e de manter a sua “fé”.

 

É preciso é que as pessoas sejam informadas correctamente, para que possam chegar às suas próprias conclusões. Ora, além da nossa limitada percepção da realidade, pelos cinco sentidos, muitos governos espalham mentiras politicamente correctas e contra-informação, para manter as pessoas na ignorância.

 

A Força Aérea Portuguesa, felizmente, tem agido de maneira muito diferente e os militares e pilotos portugueses quando vêem um OVNI tendem a comunicar o assunto aos especialistas da ovniologia como atesta o jornalista Joaquim Fernandes e vão falar à televisão livremente do assunto.

 

Provar? Antes de tudo, sem medo, e, portanto, com uma atitude verdadeiramente científica, reflectir. O que é que é uma prova? Pode-se provar alguma coisa a alguém que não deseje acreditar em algo? Será do nosso interesse fazê-lo? Na pesquisa científica séria, honesta, o investigador não deve certamente ter o desejo de acreditar… mas também não deve ter o desejo de não acreditar pois isso também vai distorcer os resultados ou as conclusões da investigação científica que se quer séria (!)

 

Como Estudar o Problema OVNI Cientificamente?

 

Estudar o fenómeno OVNI cientificamente requer um grande cuidado e uma humildade que admita a relativa raridade do fenómeno e a pobreza de dados. No entanto, não poderemos pôr o fenómeno de parte quando surgem casos intrigantes que não possam ser desmentidos senão às custas de explicações forçadas. Onde há fumo, há fogo. No caso Roswel, por exemplo, algo foi reportado ao mundo naquela altura, em 1947, através da rádio da região de Roswell. Primeiro, que um disco voador despenhado tinha sido encontrado num rancho da região. Depois veio a explicação envolvendo um balão meteorológico. Anos mais tarde vem a explicação do satélite para espiar os russos (que existiu realmente!), o projecto Mogul. Porquê três explicações diferentes? Mais interessante ainda, na altura, em 1947, os americanos e os russos estavam totalmente paranóicos uns com os outros em atitude de espionagem e guerra fria. Porque não deixar passar então a história do OVNI dado que iria encobrir a do satélite para espiar os russos? O melhor a fazer seria deixar as pessoas pensarem que caiu um OVNI. Mas não, criaram a ridícula e implausível história do balão meteorológico na qual poucos acreditaram a não ser os cépticos mais ingénuos.

 

Em Boainai, na Papuásia, um padre anglicano, o seu assistente e vários nativos (homens, mulheres e crianças) vêem um disco voador a grande proximidade com seres a aparentemente repararem algo no convés e outros objectos a evoluir no céu, facto que se repete durante mais duas noites às mesmas horas. Outros casos foram relatados na Papuásia e Malásia, na altura. Um célebre idiota americano disse que o reverendo tinha visto “os planetas” e que os nativos “tinham-se limitado a seguir o seu grande chefe branco”. Pode-se acreditar numa coisa dessas? O idiota era um cientista obtuso que não tinha sequer estado no local, nem presenciado os factos. Ainda sugeriu que o padre Gill não tinha óculos; este escreveu-lhe dizendo que não só os tinha quando apareceram os objectos como soube distingui-los perfeitamente do planeta Vénus também visível na altura. Alguém aqui não queria assumir a verdade… Ora bem, a atitude preconceituosa, em Ciência, não pode ser proveitosa para a mesma. O cientista não pode ter medo da Verdade… senão não é cientista. Deve ter uma mente relativamente aberta, uma mente que filtra, que crítica. Não uma mente que nega, que não quer ver. Muitos cientistas fazem mal e porcamente, desculpem-me a expressão (!), o seu trabalho e, pior ainda, fazem-no com alegria, com orgulho. Para mim, isso não é mais que o protótipo do cientista louco que tira as patas à pulga e diz que ela fica surda.

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